As cartas que nunca escrevi escapam das gavetas. Os bilhetes que nunca enviei guardados nas pilhas de caixas da minha casa. Os recados que um dia jurei que seriam eternos, rasgados no lixo.
As fotos sorrindo foram queimadas e noticias nunca mais foram dadas. O mundo mudou, o tempo passou e tudo se foi. Minhas cartas que não dizem nada. Nada além da minha vida. Os meus pensamentos falhos em diversas direções. E o meu tempo perdido em pobres canções.
As cartas que nunca escrevi jogadas em cantos escuros, gavetas mal arrumadas. Os telefonemas já não existem mais e eu e você já fomos mais. Mais do que isso. Nos reduzimos a pó, assim como minhas palavras. Todas tristes e queimadas de dor.
Cada linha uma súplica, um tormento. Nada além desse sentimento opressor. Minhas cartas todas lacradas esperam para serem enviadas a você. Com coisas que sempre quis dizer. Um sorriso se foi, uma lágrima rolou. Minhas cartas jazem no caos.
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